LIBERTE-SE DO OLHAR DO OUTRO

Você já disse “sim” para alguém, quando na verdade queria dizer “não”?  Costuma ceder à pressão do grupo só para não parecer a “diferentona” que destoa dos demais? Confesso que por muito tempo agi dessa maneira, até hoje tento me policiar para não repetir esses erros. Se você também partilha do mesmo hábito que tal refletir comigo a respeito?

Já parou para pensar em quantas vezes ficamos paralisados e não conseguimos agir como a nossa mente nos impulsiona a fazer, simplesmente porque nos encontramos com o foco no olhar do outro sobre nós? Passamos muito tempo pensando na reação do outro a respeito das nossas escolhas, nos anulamos com a intenção de agradar todo mundo. Nessa busca por satisfazer os outros , aos poucos vamos perdendo a nossa essência, nos transformamos em uma cópia do mundo a nossa volta, de repente já não sobra nem um traço de personalidade. Nos tornamos apenas mais um na multidão.

Libertar-se do olhar do outro, é o primeiro passo para se conhecer melhor e amar quem você é. Porém, não é uma tarefa fácil. Quem se acostuma com o julgamento alheio e vive o ilusório dilema de ser aceito para ser feliz, tudo em nome da boa convivência, precisa aprender a ser senhor de si. Cada vez que nos privamos de nossas escolhas, fechamos as portas para os nossos sonhos e oportunidades, nos afastando cada vez mais da pessoa que gostaríamos e deveríamos propositalmente ser.

Você só tem uma vida, apenas uma chance para viver, não exite em ocupar o seu lugar no mundo,seja protagonista da sua história. É comum ouvirmos que no fim da vida os maiores arrependimentos não advém das coisas que realizamos durante a nossa existência, mas pelo que deixamos de fazer. A opinião dos outros não pode te afetar, pois não altera quem você realmente é. Somos responsáveis por nossas decisões, inclusive a de ser feliz , a mais importante delas. Você não está aqui para agradar as pessoas, e isto não é arrogância,  é apenas respeito e amor próprio.

Seja firme, comece a dizer não. Não ria de piadas que não são engraçadas, abandone de vez a risadinha de educação . Faça isso sem medo de ser taxada como a “chata ” do grupo.  Convenhamos que se você não tem a liberdade de agir naturalmente na companhia de quem você chama de amigo, suas definições sobre amizade precisam ser atualizadas. Não coloque seu conforto de lado pelo ego de ninguém, principalmente de pessoas que não respeitam suas escolhas. Seja você mesmo, de propósito!

CRÍTICA CONSTRUTIVA?

Era uma manhã de domingo, eu me arrumava para sair quando encontrei no meu guarda roupa uma peça que não usava há meses: uma blusa bege com manga 3/4. Resolvi provar. Vesti, até gostei do meu reflexo no espelho, mas não consegui usar. Na verdade, comecei a me sentir mal, meu humor foi mudando aos poucos, até que tirei a blusa e a coloquei de volta no roupeiro. Naquele momento a minha mente foi inundada por uma lembrança negativa. Um dia ouvi alguém me dizer: ” Por favor, não use esta blusa. Quando a pessoa não é tão bonita, precisa investir em tons mais vibrantes, precisa de um pouco de cor pra disfarçar…tirar a atenção do rosto para a roupa. Tem que investir nas peças, né!? ” Pronto. Nunca mais consegui usar a tal blusa.

Certos comentários são tão absurdos, que contrariam todas as noções de ética e moral que construímos ao longo da vida. Quando a crítica vem de uma pessoa próxima então, é comum que estes episódios se repitam. Normalmente o outro tenta te convencer que se trata apenas de uma crítica construtiva, que só está tentando ajudar. Em alguns momentos apenas sorrimos enquanto sentimos a nossa auto estima escorrer pelo chão. Foi assim que reagi no episódio que acabei de mencionar.

Se você faz o tipo crítico de plantão, vai por mim: Pare! Estamos todos no mesmo barco, todo mundo enfrenta seus próprios desafios, seus medos e inseguranças, então não precisamos de alguém nos colocando pra baixo o tempo todo, não precisamos de alguém para fortalecer nossas inseguranças. Necessitamos de alguém que nos motive a sermos melhores. Então antes de falar , pense se você gostaria de ouvir do outro a sua “verdade”, pense qual impacto a sua “crítica construtiva” causaria se fosse destinada a você. Sentiu um desconforto ao se imaginar no lugar da outra pessoa? Não exite em silenciar, não perca a preciosa chance de ficar calado.

Quem fala demais não costuma usar filtros, e aí começa o problema. Sua sinceridade pode estar beirando a maldade, ainda que não aconteça intencionalmente. Entenda e aceite o fato de que você não precisa opinar em quase tudo à sua volta, principalmente quando isso não lhe foi solicitado. Sinceridade é diferente de falta de ética, sinceridade diverge da má educação. Críticas construtivas devem ser dirigidas para o bem, não devem causar  constrangimento, ofender nem ferir ninguém.

Nos últimos dias tenho analisado o comportamento das pessoas, sobretudo essa tendência de reagir passivamente diante de certas situações. Sabe, entendi que precisamos jogar fora o lixo que os outros deixam em nós. Não podemos fazer isto absorvendo a crítica e remoendo depois, por anos talvez. Precisamos sim rebater palavras destrutivas, não com agressividade, ironia ou deboche, não no mesmo nível do outro, mas também não podemos silenciar, precisamos dialogar com sabedoria.

Aliás, este é o grande desafio. Como é difícil manter o equilíbrio. Se não puder resolver o problema no momento em que acontece, espere o tempo certo até poder procurar o outro e arrazoar a questão. Porém, não finja demência, não engula o comentário destrutivo em nome da boa convivência, não faz bem para você, nem tampouco ao outro. Nem sempre calei. Lembro de um episódio em que me descontrolei, joguei pro alto a paciência e respondi no mesmo tom. Foi só me recompor e logo senti o erro de entrar no jogo do outro. Quando revidamos no mesmo nível perdemos a razão, refletimos a imagem de quem não queremos nos tornar.

Especialmente quando o crítico é uma pessoa influente, não é comum que as outras pessoas o enfrentem, questionem ou contrariem. Sendo assim, não é difícil imaginar como foi fácil cultivar hábitos tão tóxicos ao longo da vida. Quando não há ninguém dizendo quão duras são suas palavras ou quão deselegante é o seu modo de agir. Na maioria dos casos estas pessoas se quer podem usufruir de amizades verdadeiras, estão sempre cercadas de pessoas que apenas o suportam, mas não amam. Na verdade, em qualquer nível social, o hábito da crítica pode apontar insatisfação pessoal. Estudos mostram que pessoas que criticam ou julgam as outras são mais infelizes. Insatisfeitas com o seu próprio estado em determinada área da vida, seja emocional, profissional ou mesmo com a qualidade de seus relacionamentos, o crítico diz muito mais sobre quem ele é do que sobre o alvo de suas palavras amargas.

Se você já passou ou ainda enfrenta situações como esta, se você precisa lidar com pessoas assim, pare e reflita: qual é a sua reação diante desses conflitos? Como você se sente em relação ao outro? Traga isto à tona, verbalize, diga como se sente, jogue fora o lixo que o outro colocou em você. Não deixe ninguém azedar o seu humor, não permita que ninguém arranque o seu sorriso , tentando te diminuir para se sentir superior. Não aceite o que você não oferece aos outros, não aceite menos do que aquilo que você merece.