VOCÊ PREGA OU SÓ FAZ BARULHO?

Quando eu era criança, costumava ouvir as minhas músicas religiosas favoritas praticamente todos os dias. O problema é que em alguns momentos eu não queria escutar a minha playlist sozinha. Sentia a necessidade de compartilhar, mas não fazia isso de uma maneira tão agradável. Naquela época, eu não tinha o costume de falar sobre religião ou sobre a bíblia com os meus vizinhos. Na verdade eu mal conseguia iniciar um diálogo com eles. Então pensava que poderia “evangelizar” a vizinhança através da música. Afinal de contas, eu não tinha coragem de pregar e talvez alguém até se recusasse a me ouvir, mas com certeza ninguém iria bater na minha porta pedindo que eu desligasse o aparelho de som.

Desta maneira, imaginava que a mensagem musical poderia ajudar alguém que estivesse enfrentando um momento difícil. Talvez, a longo prazo, os meus vizinhos poderiam até aceitar a Jesus e serem convertidos. Sendo assim, eu aumentava o volume máximo do aparelho de som, um Gradiente Energy 1200, que me serviu muito bem até o início da adolescência. Sempre tinha o cuidado de me certificar para que o som alcançasse até a última casa, no fim da rua. Juro que não fazia por mal, pelo contrário! Eu tinha a mais boa das intenções. Porém em nenhum momento parei para pensar que o som alto demais poderia ser um grande ruído, incomodando e tirando a atenção da mensagem que eu gostaria de transmitir.

Por alguns anos, acho que só consegui incomodar os meus vizinhos, gosto de acreditar que a palavra de Deus não volta vazia, mas sem dúvidas este não era o melhor método de evangelismo. Sabe, por vezes tenho visto pessoas falando de Jesus da forma errada. A bíblia nos diz: “ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15), mas precisamos estar atentos e tomar cuidado para que o nosso método não afaste as pessoas ao invés de atraí-las a Cristo.
Talvez, se você parar para enxergar qual é a necessidade das pessoas e o que você pode fazer para ajudá-las, encontrará uma oportunidade para demostrar o amor de Jesus. Então seus atos serão o seu maior testemunho. Ás vezes, achamos que estamos pregando, quando na verdade estamos só fazendo barulho.

NÃO ULTRAPASSE

Sempre gostei de acampamentos de verão. Quando eu era pequena, sempre participava com a minha família, nós nos divertíamos bastante. Meu irmão e eu passávamos a manhã inteira na piscina, colhíamos fruta fresquinha do pé, brincávamos de esconde-esconde com as outras crianças, tudo era tão tranquilo.

Mas, hoje lembrei de um episódio marcante e que me trouxe uma lição. Certa vez, estávamos em uma casa de campo, era um dia comum no acampamento, todos estavam distraídos em alguma atividade ou simplesmente relaxando. A área era delimitada por um muro e não tínhamos permissão para ultrapassar o portão sem um líder, alguém que conhecia bem o local.

Foi então que alguém teve a ideia de explorar os arredores da casa, só para colher algumas frutas, ver a paisagem lá fora. O plano era sair sem chamar a atenção, quem topasse deveria manter segredo, a ideia era ir e voltar a tempo, antes de levantar qualquer suspeita. Por alguma razão, o  meu irmão e eu, fomos atraídos pela proposta, passamos pelo portão acompanhando um pequeno grupo de infratores.

Lá fora, tudo parecia muito calmo, na verdade, apesar de haverem outras residências por perto, não encontramos ninguém circulando pelo caminho, só havíamos nós. Começamos a nos afastar do acampamento, chegamos a uma cachoeira e ali ficamos por um momento, admirando o lugar. Não se passaram dez minutos, de repente, percebemos que já não estávamos a sós. Um homem em uma bicicleta começou a se aproximar, em seguida outro, e depois mais um, e logo havia um grupo com mais de dez homens a nossa volta.

Neste momento, notamos que um deles carregava uma arma na cintura, ficamos ali por um instante paralisados, enquanto eles nos lançavam um sorriso ameaçador. Era possível sentir o perigo no ar. Sem dúvidas eles sabiam que não éramos daquela região e que provavelmente estávamos ali sozinhos. Um deles tirou a camisa e mergulhou no riacho.

Comecei a me afastar devagar e então pensei rapidamente. Fingi que havia mais gente conosco. De onde estávamos dava para ver uma trilha não muito distante, fingi que tinha visto alguns amigos e comecei a acenar e gritar dizendo: “oi, nós estamos aqui!” , sinalizando e pedindo para nos esperarem. Obviamente todos os outros estavam no acampamento, não havia ninguém. Torci para que os meus colegas entendessem o disfarce e colaborassem.

Eles entenderam. Logo outro amigo também simulou dizendo: ” Já estamos indo”. A partir daí nos distanciamos cuidadosamente, e em um determinado ponto começamos a correr. Como foi difícil escapar daquele lugar! Subimos uma ladeira rodeada de árvores e muitos frutos estavam esparramados no caminho, deixando chão escorregadio. Por fim, finalmente chegamos, exaustos, mas a salvos. Até hoje, ninguém além de nós soube o que aconteceu naquele dia.

Esta experiência me fez refletir sobre a vida. Há um verso bíblico que diz: ” Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte.” (Prov. 14:12) Quantas vezes nos metemos em grandes problemas por quebrar regras. Ultrapassamos os “portões” só para descobrir o perigo. Ainda bem que temos um Pai amoroso que cuida de nós. Quando pedimos socorro, ele nos ouve e nos salva. A bíblia diz que ele não se cansa e não dorme, pois está atento a você e a mim. Porém, seja sábio, não ultrapasse os limites estabelecidos. Tema a Deus, seja obediente e viva plenamente em sua graça.